Arquivo para dezembro, 2010

RECEITA DE ANO NOVO

Posted in Não categorizado on 31 de dezembro de 2010 by waleskapink

Receita de ano novo
 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

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TER OU NÃO TER NAMORADO – EIS A QUESTÃO

Posted in Não categorizado on 31 de dezembro de 2010 by waleskapink

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar. Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio. Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Hummm… Acho que entendi…

ENCONTRO

Posted in Não categorizado on 18 de dezembro de 2010 by waleskapink

As vezes eu tenho um encontro tão lindo comigo mesma…

Aí eu flutuo, viajo, transponho, transcendo…

me encontro de verdade com minha essência;

Me descubro… descortino-me, dispo-me, liberto-me…

E ai encontro você;

E quando encontro você, encontro a beleza da cumplicidade…

-Jaqueline Ramalho –

URGÊNCIAS

Posted in Não categorizado on 8 de dezembro de 2010 by waleskapink

Sou composta por urgências

 minhas alegrias são intensas

 minhas tristezas, absolutas.

Me entupo de ausências,

 me esvazio de excessos.

 Eu não caibo no estreito,

eu só vivo nos extremos.

Eu caminho, desequilibrada,

 em cima de uma linha tênue

entre a lucidez e a loucura.

De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir,

embora quem se relacione comigo saiba

 que é por conta-própria e auto-risco.

 O que tenho de mais obscuro,

 é o que me ilumina.

E a minha lucidez é que é perigosa …

 Se eu pudesse me resumir,

 diria que sou irremediável!

Clarice Lispector

A ETERNIDADE VAI TER QUE ESPERAR

Posted in Não categorizado on 3 de dezembro de 2010 by waleskapink

O que fazer quando temos que expulsar alguem de uma morada que prometemos ser sua pela eternidade??? E quando esse alguém se chama amor e a morada é nosso coração? Existe cemitério do amor? Caixinha pra guardar quando não serve mais? Borracha pra apagar? Hahahahahaha….. E agora… Onde eu vou colocar??? Aqui não pode ficar, ocupando espaço… todo espaço por sinal, não tá sobrando nadinha!!! Me desculpe, mas procure outro lugar, pois aqui logo logo outro amor vai chegar, e eu preciso arrumar tudo, colocar tudo no lugar, esse coração é doce demais pra se amargurar, preciso arrumar o telhado pois lágrimas não vão mais derramar. É uma pena mas a eternidade vai ter que esperar…