Arquivo para junho, 2010

A VISITA

Posted in Não categorizado on 24 de junho de 2010 by waleskapink
A VISITA

A pessoa que mora dentro de mim está triste.
Vou visitá-la hoje!
Tomaremos chá com bolachas e eu lhe falarei do céu e das manhãs que vejo o sol brilhar.
"as manhãs são tantas…" – vai me dizer – "que se torna repetitivo o fato de iluminá-las sempre".
Então,se isto não servir,falarei do silêncio.
Ela vai chorar. Eu sei.
Não perguntarei o motivo das lágrimas, mas, saberei que a culpa do silêncio não agradá-la é minha, pois, visito-a poucas vezes.
Falarei mais algumas coisas e me despedirei.
Esquecendo-se dela e da sua casa.
Sei que voltarei em outro dia, para falar novas coisas sobre o céu e o sol.
Mesmo que sejam disfarces perceptíveis das repetições anteriores de quando a visito.
Minha esperança, é que, um dia, eu a convença de ser menos amarga.

(Cristiane Maria França. Dança das Emoções)

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DESPERTA-DORES

Posted in Não categorizado on 22 de junho de 2010 by waleskapink
Despertadores
 
(Roberto Shinyashiki)

Na Índia, os mestres sempre dizem: os problemas são despertadores que tentam acordar as pessoas para a vida.
Aproveite para acordar logo, antes que o próximo despertador faça mais barulho.Pense nisso:
o que essa dificuldade está querendo mostrar a você?
Problemas são avisos que a vida nos envia para corrigir algo que não estamos fazendo bem.
Problemas e doenças são sinais de emergência para que possamos transformar nossas vidas.
Aliás, problemas e doenças guardam muita semelhança entre si.
Infelizmente, a maioria das pessoas, quando fica doente, cai num lamentável estado de prostração ou simplesmente toma remédio para tratar os sintomas em vez de fazer uma pausa para refletir sobre os avisos que essa doença está enviando.
São poucos os que se perguntam: "Por que meu organismo ficou enfraquecido e permitiu que a doença o atacasse?
"Uma doença é sempre um aviso, embora muita gente não preste atenção nele.
Assim como os problemas, os sintomas vão piorando na tentativa de fazer com que você entenda o recado.
No começo pode ser uma leve dor de cabeça um recado para que você pare e analise o que está faltando em sua vida.
Mas você não tem tempo, toma um analgésico e nem percebe direito que a dor está aumentando. Então a dor piora, mas você vai à acupuntura para aliviá-la e não presta atenção quando o médico diz que o tratamento é paliativo e que você precisa mudar seu estilo de vida para eliminar as causas da doença.
As doenças são recados que precisamos levar a sério, principalmente as doenças que se repetem.Dores de cabeça, alergias de pele, má digestão, todos esses distúrbios querem nos mostrar algo. Saber procurar e achar as causas deles é uma atitude muito sábia.
Nossos inimigos, da mesma forma que os problemas e as doenças, são gritos de alerta para cuidarmos de algo que não está certo em nossa vida.Quando os ouvimos com atenção, nossos inimigos podem se transformar em maravilhosas alavancas de crescimento pessoal.
Assim como as doenças e os inimigos, os problemas nos enviam avisos que precisamos aprender a decodificar.Se você tem um problema que está se repetindo em sua vida, é chegada a hora de fazer uma análise do seu significado para poder superá-lo.
E tenha muito claro que, no momento em que supera um problema que o acompanha por algum tempo, uma nova pessoa nasce dentro de você.

CALORIAS

Posted in Não categorizado on 16 de junho de 2010 by waleskapink
 

NAMORADOS

Posted in Não categorizado on 11 de junho de 2010 by waleskapink

Aos Namorados do Brasil

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Dai-me, Senhor, assistência técnica
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado algum escuta alguém?
Adianta falar a namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda paisagem ,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só vêem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?

Cegos, surdos, mudos – felizes! – são os namorados
enquanto namorados. Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
Mas quem foi namorado sabe que outra vez
voltará à sublime invalidez
que é signo de perfeição interior.
Namorado é o ser fora do tempo,
fora de obrigação e CPF,
ISS, IFP, PASEP,INPS.

Os códigos, desarmados, retrocedem
de sua porta, as multas envergonham-se
de alvejá-lo, as guerras, os tratados
internacionais encolhem o rabo
diante dele, em volta dele. O tempo,
afiando sem pausa a sua foice,
espera que o namorado desnamore
para sempre.
Mas nascem todo dia namorados
novos, renovados, inovantes,
e ninguém ganha ou perde essa batalha.

Pois namorar é destino dos humanos,
destino que regula
nossa dor, nossa doação, nosso inferno gozoso.
E quem vive, atenção:
cumpra sua obrigação de namorar,
sob pena de viver apenas na aparência.
De ser o seu cadáver itinerante.
De não ser. De estar, e nem estar.

O problema, Senhor, é como aprender, como exercer
a arte de namorar, que audiovisual nenhum ensina,
e vai além de toda universidade.
Quem aprendeu não ensina. Quem ensina não sabe.
E o namorado só aprende, sem sentir que aprendeu,
por obra e graça de sua namorada.

A mulher antes e depois da Bíblia
é pois enciclopédia natural
ciência infusa, inconciente, infensa a testes,
fulgurante no simples manifestar-se, chegado o momento.
Há que aprender com as mulheres
as finezas finíssimas do namoro.
O homem nasce ignorante, vive ignorante, às vezes morre
três vezes ignorante de seu coração
e da maneira de usá-lo.

Só a mulher (como explicar?)
entende certas coisas
que não são para entender. São para aspirar
como essência, ou nem assim. Elas aspiram
o segredo do mundo.

Há homens que se cansam depressa de namorar,
outros que são infiéis à namorada.
Pobre de quem não aprendeu direito,
ai de quem nunca estará maduro para aprender,
triste de quem não merecia, não merece namorar.

Pois namorar não é só juntar duas atrações
no velho estilo ou no moderno estilo,
com arrepios, murmúrios, silêncios,
caminhadas, jantares, gravações,
fins-de-semana, o carro à toda ou a 80,
lancha, piscina, dia-dos-namorados,
foto colorida, filme adoidado,,
rápido motel onde os espelhos
não guardam beijo e alma de ninguém.

Namorar é o sentido absoluto
que se esconde no gesto muito simples,
não intencional, nunca previsto,
e dá ao gesto a cor do amanhecer,
para ficar durando, perdurando,
som de cristal na concha
ou no infinito.

Namorar é além do beijo e da sintaxe,
não depende de estado ou condição.
Ser duplicado, ser complexo,
que em si mesmo se mira e se desdobra,
o namorado, a namorada
não são aquelas mesmas criaturas
que cruzamos na rua.
São outras, são estrelas remotíssimas,
fora de qualquer sistema ou situação.
A limitação terrestre, que os persegue,
tenta cobrar (inveja)
o terrível imposto de passagem:
"Depressa! Corre! Vai acabar! Vai fenecer!
Vai corromper-se tudo em flor esmigalhada
na sola dos sapatos…"
Ou senão:
"Desiste! Foge! Esquece!"
E os fracos esquecem. Os tímidos desistem.
Fogem os covardes.
Que importa? A cada hora nascem
outros namorados para a novidade
da antiga experiência.
E inauguram cada manhã
(namoramor)
o velho, velho mundo renovado.

ENLOU-CRESÇA

Posted in Não categorizado on 11 de junho de 2010 by waleskapink

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.

Difícil porque namoro de verdade é muito raro.

Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem,
quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa,

envolvimento, até paixão é fácil.
Mas, namorado, mesmo, é muito difícil.

 Namorado não precisa ser o mais bonito,
mas aquele a quem se quer proteger e

quando se chega ao lado dele a gente treme,

sua frio e quase desmaia pedindo proteção.

A proteção dele não precisa ser parruda,

decidida ou bandoleira:

basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado, não é que não tem um amor:

é quem não sabe o gosto de namorar.

Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e
dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva,

cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche

de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho,

quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa
é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a
infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade

ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas,

de carinho escondido na hora em que passa o filme,

 de flor catada no muro e entregue de repente,

de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes

ou Chico Buarque lida bem devagar,

de gargalhada quando fala junto ou

descobre a meia rasgada;

de ânsia enorme de viajar
junto para a Escócia ou mesmo de metrô,

bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico
ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando

o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de
alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria
e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados,

ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos,

quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem ama sem gostar;

quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto

de ser lembrado de repente no fim de semana,
na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem
ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações;

quem fazsexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com
ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo,
e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor
é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita,

e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras,
e escove a alma com leves fricções de esperança.

De alma escovada, e coração estouvado,
saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e
sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como
se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas,
cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira:

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer
a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

DIAS DE SOLIDÃO

Posted in Não categorizado on 10 de junho de 2010 by waleskapink
 

Dias de solidão

 

Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Quando o poeta da música popular escreveu esses versos, explicitava na canção o sentimento que muitas vezes se apodera de nossa alma.

São aqueles dias onde a alma se perde na própria solidão, encontrando o eco do vazio que ressoa intenso em sua intimidade.

São esses dias em que a alma parece querer fazer um recesso das coisas da vida, das preocupações, responsabilidades e compromissos, para simplesmente ficar vazia.

Não há quem não tenha esses dias de escuridão dentro de si. Fruto algumas vezes de experiências emocionais frustrantes, onde a amargura e o dissabor nos relacionamentos substituem as alegrias de bem-aventuranças anteriores.

Outras vezes são os problemas econômicos ou as circunstâncias sociais que nos provocam dissabores e colocam sombras na alma.

A incompreensão no seio familiar, a inveja no círculo de amizades, a competição e rivalidade desmedida entre companheiros de trabalho provocam distonias de grande porte em algumas pessoas.

Nada mais natural esses dissabores. Jesus, sabiamente, nos advertiu dizendo que no mundo só encontraríamos aflições.

Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, as aflições e dificuldades são questões naturais e, ainda necessárias para a experiência evolutiva de cada um de nós.

Dessa forma, é ilusório imaginarmos que estaríamos isentos desses embates ou acreditarmo-nos inatacáveis pela perversidade, despeito ou inferioridade alheia.

Assim, nesses momentos faz-se necessário enfrentar a realidade, sem deixar-se levar pelo desânimo ou infelicidade.

Se são dias difíceis os que estejamos passando, que sejam retos nosso proceder e nossas ações. Permanecer fiel aos compromissos e aos valores nobres é nosso dever perante a vida.

Os embates que surjam não devem ser justificativas para o desânimo, a queixa e o abandono da correta conduta ou ainda, o atalho para dias de depressão e infelicidade.

Aquele que não consegue vencer a noite escura da alma, dificilmente conseguirá saudar a madrugada de luz que chega após a sombra, que parece momentaneamente vencedora.

Somente ao insistirmos, ao enfrentarmos, ao nos propormos a bem agir frente a esses momentos, teremos as recompensas conferidas àquele que se propõe enfrentar-se para crescer.

*   *   *

Se os dias que lhe surgem são desafiadores, lembre-se de que mesmo Jesus enfrentou a noite escura da alma, em alguns momentos, porém, sempre em perfeita identificação com Deus, a fim de espalhar a claridade sublime do Seu amor entre aqueles que não O entendiam.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7,

 do livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis,

 psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Em 08.06.2010.

 

 

TARDE DEMAIS

Posted in Não categorizado on 9 de junho de 2010 by waleskapink

Agora que tens um segundo plano

Me por em primeiro

Surgiu um terceiro

Que leu a poesia que era pra ti

Abriu o vinho para mim

Sorriu e começou a me despir


Agora que voltas com ombros caídos

Me pedindo colo, me pedindo abrigo

Alguma luz se apagou

A agulha no disco pulou

Alguém me puxou pela mão

Alguém no meu ouvido falou


Agora que te sentes livre

Eu já não sei se quero ir

Alguém me fez sentir

O sabores de perfumes

E as cores que eles têm

Me tornei amante do mundo

Não quero ser de mais ninguém