Arquivo para janeiro, 2010

EU FICO COM O NECESSÁRIO

Posted in Não categorizado on 28 de janeiro de 2010 by waleskapink
O MELHOR E O BOM


.

Leila Ferreira é uma jornalista mineira
com  mestrado em Letras e doutora
em Comunicação, em Londres.
Apesar disso, optou por viver uma vidinha
mais simples, em Belo Horizonte…

(Leila Ferreira)

Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas
hoje só queremos saber do "melhor".

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro,
o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor
operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta.

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os
outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes,

porque, afinal, estamos com "o melhor".

Isso até que outro "melhor" apareça –
e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor,
de repente, nos parece superado, modesto, aquém
do que podemos ter.


O que acontece, quando só queremos o melhor,
é que passamos a viver inquietos, numa espécie
de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos,
porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os
outros (ah, os outros…) estão vivendo melhor,
comprando melhor, amando melhor, ganhando
melhores salários.


Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás,
de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.
Mas o menos, às vezes, é mais
do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso
realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que
subir na empresa e assumir o cargo de chefia que
vai me matar de estresse porque é o melhor cargo
da empresa?

E aquela TV de não sei quantas
polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de
casa e vou porque tem o "melhor chef"?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado
porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem
mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca
permanente do melhor tem nos deixado
ansiosos e nos impedido de desfrutar o
"bom" que já temos
.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos
faz mais felizes do que os homens "perfeitos".

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu,
mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo..

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas
das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e
sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na
busca do "melhor" a gente nem percebeu?

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AMIZADE

Posted in Não categorizado on 27 de janeiro de 2010 by waleskapink

Amigos para sempre…

 

Depois de perder os pais, esse orangotango de três anos de idade estava tão deprimido que se recusava a comer e não respondia muito bem aos tratamentos e remédios. Os veterinários achavam que ele iria se entregar à morte.

O velho cão foi encontrado perdido nos arredores do zoológico, e quando levado para dentro da sala de tratamento, se encontrou com o orangotango, e os dois se tornaram amigos inseparáveis desde então.


O orangotango encontrou uma nova razão para viver e se esforça ao máximo para fazer seu novo amigo acompanhá-lo em suas atividades.

Eles vivem no norte da California e a natação é o esporte favorito de ambos, embora Roscoe (o orangotango) ainda tenha um pouco de medo da água e precise da ajuda do amigo para atravessar a nado.

Eles passam o tempo todo juntos e podemos ver, pelos sorrisos e risadas, o quanto são felizes.

 

Juntos descobriram o lado engraçado da vida e o valor da amizade.

 

Encontraram mais do que um ombro amigo para debruçar…


E viva a AMIZADE e o AMOR!

Saber Viver

Não sei se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Simples gestos como um beijo, um sorriso revestido do mais puro afeto…curam qualquer dor de cabeça, arranhão no joelho, medo do escuro… e valem muito mais que presentes e desculpas vazias. É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é importante que elas saibam e sintam isso.

CORAÇÃO SERTANEJO

Posted in Não categorizado on 14 de janeiro de 2010 by waleskapink
…Se moça do sertão eu fosse, com a ameaça de uma peixeira, ou foice, ousaria dizer:

_serenata é coisa que não se acaba em ouvido de uma moça, seo cabra.

Mas como sou da cidade, prefiro a cilada do silêncio que finge indiferença ou a tonteria dos pássaros que já não sabem mais para onde voar porque em todo canto é verão.

Talvez o problema seja esse! Sou moça da cidade, mas meu coração sertanejo…

 
By Mônica Montone

MULHER DE UM HOMEM SÓ.

Posted in Não categorizado on 10 de janeiro de 2010 by waleskapink
Ela é como o urso panda, está quase extinta do planeta.

Quando alguém a ouve dizendo “sou mulher de um homem só”, corre para o celular mais próximo e chama a imprensa para documentar. Quem é, afinal, essa mulher tão rara?

A mulher de um homem só casou virgem com um escritor que detesta badalação. A última festa a que ele compareceu foi a do seu próprio casamento, a contragosto. Ele só gosta de música barroca, uísque e poesia. Não quis ter filhos. É um homem terrivelmente só que se casou apenas para que alguém cozinhasse para ele, pois odeia restaurantes.

A mulher do homem só tenta animá-lo. Convida-o para subir a serra e comer um fondue. O homem faz que não com a cabeça. A mulher convida para ir a uma festa de antiguidades. Ele dá um sorriso sarcástico. Ela convida para um teatro. Ele pega no sono antes que ela diga o nome da peça.

O homem só gosta de ficar em casa. Não vai ao cinema, nem aos parques, nem a bares. Não visita ninguém. Não votou nas últimas eleições. Não comparece às reuniões de condomínio. Tem alergia a gente.

A mulher do homem só tentou festejar os 50 anos dele. Convidou os poucos conhecidos do marido: um irmão, o editor e a mulher deste. Comprou cerveja, colocou o cd do Paulinho da Viola e flores nos vasos. Os convidados chegaram e se foram sem ouvir a voz do homem só. Ele apenas resmungou um obrigado quando recebeu um livro do editor e disse qualquer coisa inaudível ao ganhar meias do irmão. Passou calado a noite inteira. Quando pediu licença para ir ao banheiro, não voltou mais.

A primeira vez que a mulher do homem só disse “sou mulher de um homem só” foi para o motorista de táxi, que ficou muito impressionado. Ela era jovem, bonita, mas tinha uma tristeza comovente no olhar. Era a última corrida dele e, impulsivamente, convidou-a para uma caipirinha. Ela aceitou e, pela primeira vez em muitos anos, teve uma noite animada!

A segunda vez que ela disse “sou mulher de um homem só” foi para o vizinho do sexto andar. Estavam sozinhos no elevador e ele fingiu não ouvir. Nunca haviam trocado um bom dia, quanto mais uma confidência. Mas ela repetiu: “sou mulher de um homem só”. Dessa vez falou de um jeito tão carente que ele se viu obrigado a tomar uma providência. O sexto andar acabou mal falado no prédio.

A mulher do homem só, então, passou a ter a agenda cheia: o professor de computação, o gerente do banco, o dono do posto de gasolina. Vivia pra cima e pra baixo com seus novos amigos: cinema, shopping, vernissages. Não corria o risco de encontrar o marido em nenhum desses lugares.

Começou a usar decotes, maquiagem e ria alto. Nunca se sentira tão feliz. Surgia cada dia com um parceiro diferente nas festas, nas inaugurações de lojas, nos passeios pelo mercado público. Ganhou má fama. E quanto mais o povo falava, mais ela desdenhava.

Ninguém fazia a mínima idéia do que era ser a mulher de um homem só!

(Martha Medeiros – A mulher de um homem só)

SUTILMENTE

Posted in Não categorizado on 7 de janeiro de 2010 by waleskapink
Soltou um suspiro e, sorrindo, fechou os olhos…

Sentiu o calor do corpo dele atrás de si… O toque das mãos dele sobre seus ombros, primeiro brincando com a alça fina do seu vestido que insistia em descer pelos braços… Depois, tateando sua pele, num toque quente, suave e firme, que a fez arrepiar-se da cabeça aos pés.

Suspirou novamente quando os carinhos dele avançaram, as duas mãos fortes subindo pelo seu pescoço e orelhas.

A respiração morna dele em sua nuca a fez curvar-se, levemente.

Quando ele afundou o rosto em seus cabelos e aspirou-lhes o perfume, mordiscando de leve sua orelha, ela riu baixinho.

Ele a envolveu em um abraço intenso, encostando o peito em suas costas, e ela pôde sentir o coração dele batendo acelerado, como se fosse o seu próprio.

Desejou nunca mais sair daquele abraço de corpo inteiro, daqueles beijos em seu pescoço, daquela respiração em sua orelha, daquele corpo ardente encostado ao seu.

Ele lhe fazia tão bem! E de um modo único… Desejava-o também como ainda não desejara ninguém, de uma forma sutilmente avassaladora! Não era um desejo só de corpo, era um desejo de tudo o que vinha dele…

O toque do telefone a fez abrir os olhos e, virando-se para trás, encontrar apenas a solidão do seu quarto. Pegou o celular e viu o nome dele piscando ali, insistentemente.

Atendeu, meio ofegante, e ele certamente podia sentir o sorriso em sua voz, quando ela falou:

– Oi! Estava pensando em você…